ILUMINAÇÃO CÊNICA
- Aline Gouvêa Leite
- 20 de jan. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de mar. de 2022
A história da iluminação tendo como origem o fogo é plenamente conhecida, inclusive por leigos e amadores. Mas o que pouca gente sabe é sobre a origem da iluminação cênica e como ela contribui, não somente para palcos de teatro, mas também para eventos e até projetos de interiores.
No passado, a iluminação cênica teve início junto com as apresentações públicas. Tendo o sol como fonte de luz, os efeitos ficavam no jogo de luz e sombra. Então vieram velas, tochas e assim como toda tecnologia luminotécnica, chegamos hoje aos mais incríveis espetáculos.
Tudo bem, mas qual a real origem dessa luz? Por que é um efeito que tanto se fala e poucos conhecem?
A memória da mente humana não se limita à memória visual de uma pessoa, mas à toda memória da humanidade, considerando sua evolução histórica, fisiológica e todo conhecimento adquirido através dos tempos.
A luz causa sensações no ser humano, impressões que se remetem à emoções e vivências. O jogo de contraste, luz e sombra, claro e escuro remetem a dia e noite, segurança e medo. Outros efeitos provocam calma, ansiedade, suspense, excitação, tédio, romance, tristeza e muitas outras sensações, que aliadas a outros estímulos, como o sonoro, se tornam ainda mais intensas.
Mas o assunto de hoje é iluminação cênica. Ela é inspiração para muitos projetos e o resultado de muitos outros projetos luminotécnicos. Não sou especialista em iluminação cênica, para isso temos profissionais como Rodrigo Assis “Horse”, Valmir Perez e outros com muito conhecimento da área.
No entanto, é estudando os efeitos que alguns desses arquitetos desejam causar no palco e no público e como os mesmo realizam isso através das soluções projetuais, que encontro inspiração para projetos de interiores. Da mesma forma,conhecendo as emoções provocadas nas pessoas diante da luz em suas vivências, é que se consegue reproduzir essas impressões no espetáculo.
Focando um pouco em técnicas e história, podemos utilizar como exemplo o teatro de Epidauro que tinha a platéia voltada para o sul e o palco voltado para o norte, criando os primeiros efeitos de iluminação cênica.



Além da própria luz do sol, já iniciavam-se os efeitos cênicos através de espelhos como descreve Dário Fo em “The Mask. Amonthly Journal of the Art of the Theatre” de 1908:
Os espectadores viam os atores de cima para baixo, ou seja, obliquamente. As costas dos atores eram alargadas ao máximo para o aproveitamento integral desse efeito. [...] havia uma projeção de sombra obtida por meio de grandes espelhos, causando uma ilusão de maior grandeza dos personagens. A palavra refletor (anaclátoras, em grego) parece ter sua origem nesse sistema. [...]. De fato, sobre grandes discos de madeira – escudos gigantes – colavam-se lâminas de mica reflexiva. Os espelhos eram móveis, permitindo o acompanhamento do sol, captura de seus raios e a projeção sobre o espaço cênico.
Na iluminação atual há muitos efeitos que são programados até por softwares permitindo que a iluminação cênica de determinada peça teatral possa ir para qualquer teatro sem sofrer alterações e permitindo, também, que o Lighting Designer possa ser responsável por vários espetáculos sem precisar viajar sempre com a companhia teatral.
Muito aqui foi falado sobre iluminação cênica em teatros, mas a mesma, com os mesmos princípios, é utilizada para a iluminação de eventos e até edifícios arquitetônicos. Hoje em dia, é muito comum, inclusive, utilizar as fachadas de edificações como telas para espetáculos com luz.
O efeito de cores muito utilizado em espetáculos, também é aplicado em casamentos, formaturas, shows, fachadas de edifícios que ganham vida com apresentações luminosas. No evento, cria-se uma atmosfera que altera os momentos da festa de acordo com a cor e a intensidade da luz utilizada. Assim como em bares, restaurantes, igrejas e casas noturnas. Já as fachadas, se tornam um espetáculo em que até mesmo peças podem ser encenadas ao ar livre e vídeos possam ser apresentados. Ou somente o jogo luminotécnico é a própria atração.

Em 2016, foi lançada a marca a marca dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro também fazendo o mesmo efeito, como projeção na escultura.
Em interiores, a troca de luz cria um ambiente diferente a cada cor e isso tem sido cada vez mais utilizado com a facilidade de fontes de luz em RGB, que permitem criar várias cores e tonalidades.

Além da cor da luz, o movimento que os equipamentos de hoje proporcionam, “acelera” ou “diminui” o ritmo do ambiente.


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